sexta-feira, 23 de maio de 2014

3 partes que o ilustrador iniciante não pode errar?

por David Tomás

Nada de graça para o cliente, você tem gastos também

Tudo bem! Quer experiencia, fique a vontade! mas cuidado com o que você está fazendo! Pois esse é um dos fatores mais idiotas que eu já vi em ilustradores iniciantes e outra, existe formas mais legais de fazer e evitar dores de cabeça logo no começo de carreira.

Primeiramente, se quer começar logo de cara parte para um estilo, mas para isso pesquise e crie algumas pastas no Windows Explorer na vida com pastas para saber qual mercado de ilustração quer partir e dai faça ilustrações para, melhorar seu trabalho.

Se quiser, sugira para clientes aos arredores no bairro alguma proposta de trabalho para criar seu portfólio e junte grana para comprar materiais (Stephen Silver que deu a dica, veja o link aqui), ou então se sua família tem empresa, comece a criar algo para eles, já que quer portfólio profissional, nada mal para começar.

Outra maneira é entrar em financiamentos criativos, esses sim estão ajudando a entrar no mercado, produza sua publicação de quadrinhos ou um livro de ilustração e entre outros trabalhos que pode ser feito, mas se acha trabalhoso (que isso não é feito da noite pro dia), faça uma produção independente, mas com qualidade, para entrar no mercado.

Mas a partir do momento que vem empresas grandes, pequenas e médias se aproveitar disso! aí sim você sai perdendo porque seja estabelecimentos de produtos ou serviços, a maioria delas sempre sai ganhando. 

O motivo é justamente saber que você é um bom ilustrador, mas você nem sequer não tem noção do mercado e como funciona realmente.Por isso busque informações de tabelas de preço, de processos de trabalhos, tire dúvidas com profissionais da área e fique atento como uma coruja no escuro, porque você pode entrar num buraco que não volta ou tentar recuperar o prejuízo de sua reputação no mercado que deve ser levado a sério.

Reveja seus preços e suas formas de pagamento

Outro erro e bem comum nos iniciantes, é  não saber dar preço e eu já fui prejudicado com isso em alguns momentos! Muitos ilustradores acham que fazendo baratinho vai facilitar a entrada do mercado e depois pode aumentar o preço, mas essa lógica não funciona assim.

Primeiramente preço abaixo do mercado é prejudicial porque justamente você não tem noção de um trabalho que pode ser trabalhoso, porque nem sempre o preço baixo é escolhido pelo cliente, depende muito de seu estilo, do seu prazo e do seu valor.

Pesquise alguns ilustradores com preços e com traços variados e analise se realmente vale a pena, porque não basta colocar o preço e pronto, tem o tempo de produção, se caso usa o computador para fazer esse trabalho ou matérias caros para ter um bom resultado

Prazo são rápidos, mas analise o trabalho.

Você pergunta "é para quando" e o cliente "é para ontem", não caia nesse outro truque, essa é uma das frases chatas que ocorrem nas negociações e se você fizer sem receber piorou...

Analise com o orçamento, pois ele é seu companheiro de ajuda e é ele que vai dizer se o cliente quer ou não o serviço, se caso querer alguns clientes "espertinhos" vão fazer de tudo para baixar o preço, criar prazos rápidos demais e até mesmo não pagar o valor.

Então seja sincero e fale que um determinado tipo de trabalho tem um prazo, se o cliente exigir pressa, refaça um orçamento com uma taxa de adiantamento, isso é valido e mesmo assim fale do prazo e acerte de forma mais legal possível para fazer isso. Não caia na onde de pegar o dinheiro rápido demais, a pressa é inimiga da perfeição, o grande problema é que o dinheiro é a melhor amiga da pressa e você pode se dar mal com um resultado nada satisfeito.

Mas se o cliente for justo e você demorar demais, ai não dá também, você precisa aprimorar seus trabalho e ver cada tipo de trabalho há um prazo determinado que você deve analisar.

Links:
Stephen Silver - Proteja sua carreira artística:
http://www.youtube.com/watch?v=b_Nt_2-CzGI
VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL:
http://portaldoilustrador.blogspot.com.br/2011/04/valorizacao-profissional.html

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Entrevista - Grupo de Ilustração Cientifica e Biológica da UFC

Com exclusividade, um grupo de estudantes da UFC montaram um grupo especifico de ilustração cientifica e para explicar sobre o projeto e algumas coisas relacionada ao assunto, é Marcos vieira, um dos responsáveis desse encontro:os Vieira


Como surgiu o Grupo de Ilustração Cientifica e Biológica da UFC e quais são os objetivos desses encontros que ocorrem na universidade?

R – O grupo surgiu em 2013, sendo uma iniciativa dos alunos da graduação (Heberson Menezes, Pedro Igor e Victor Távora). Que tinha a intensão de reunir desenhistas existentes no curso de Ciências Biológicas, coisa muito comum, já que muitos guardam como um segredo a habilidade de desenhar. E estas revelações sempre ocorrem em aulas práticas de laboratório de botânica ou zoologia, exatamente quando algum colega começa a te apontar, no meio do laboratório fazendo diversos elogios e quando menos se espera a sala inteira esta olhando seu caderno de desenho (pelo menos isso me deixava muito envergonhado). No geral, os objetivos do grupo são de melhorar a percepção dos estudantes sobre organismos vivos, aumentando as habilidades de detalhamento. Além de estimular o interesse em outros estudantes, já que muitos querem desenvolver técnicas mais simples como apenas desenho básico, proporções, perspectiva, ate atividades mais complexas, como escalas, conservação de material e diferentes técnicas com nanquim.


A ilustração Cientifica é uma categoria de ilustração ou é uma categoria ligada a um ou outros cursos de graduação? Existe inclusive uma certificação oficial ou específica para se fazer esse tipo de trabalho? seja nacional ou internacional.

R – A ilustração cientifica é uma linguagem internacional, que possui o intuito de representar estruturalmente um material orgânico, com uma liberdade artística. Ela se enquadra como uma categoria de ilustração, mas existem cursos de graduação em grandes universidades no país, que adotam a ilustração cientifica como uma disciplina em sua grade curricular.

Quais são as categorias que esse tipo de ilustração está inserido? Existe também especificações técnicas em cada uma delas de interpretação para a sociedade e qual a importância desse tipo de trabalho?

R – Existem especificações dentro dessa modalidade de ilustração, sendo elas ilustrações medica, botânicas, paleontológicas, entomológicas e outras. Temos especificações técnicas sim, como no caso da botânica que possui uma exigência muito maior, seguida de inúmeras regras de como desenhar. Já em zoologia existe uma liberdade maior para o desenhista (obvio que ninguém pode fazer uma prancheta com ilustrações surrealistas ou abstratas, pois existe um limite e deve ser respeitado). Além dos trabalhos realizados para os próprios departamentos, existem as especificação para as publicações, onde normalmente se publica em preto e branco, por isso se faz bastante uso do nanquim.
Para a sociedade temos uma transversalidade de temas, onde seguem juntas a ciência e a arte. Podemos lembrar as obras criadas no período das expedições portuguesas, os registros ilustrados da diversidade da Mata Atlântica e as belas ilustrações medicas. Mas você poderia pensar que uma fotografia, ou um vídeo podem realizar os mesmos registros, sim isso é um fato, entretanto existe uma coisa que somente a ilustração proporciona, a capacidade de modelar o real.


Historicamente falando, a ilustração científica desde os tempos do Renascimento, mudou muita coisa desde o seculo passado, no ponto de vista do grupo?

R – A história influencia de qualquer maneira na nossa atualidade, e com a ilustração cientifica não foi diferente, um exemplo: no período onde apareceram as primeiras escolas naturalistas, eles utilizavam uma grade fixa para ter uma proporção projetada do objeto real. Atualmente podemos simplesmente fotografar e criar a escala com auxilio de editores de imagem. Ou ate mesmo com um aplicativo pelo celular. Creio que o trabalho ficou mais facilitado, porem, não menos valorizado.

Como é o mercado de ilustração científica no Ceará? Existe inclusive projetos da UFC, empresa ou outras entidades que financiam esse tipo de trabalho para os alunos entrarem no mercado de trabalho?

R – Atualmente o mercado é muito restrito a universidades, onde muitos laboratórios de pesquisa marinha, zoologia, herbário, entre outros, possuem um estudante do próprio departamento trabalhando para eles. O que muitas vezes limita na admissão de um novo bolsista. Entretanto o aluno da universidade que tem o interesse e a disponibilidade de tempo acadêmico na área tem um favorecimento profissional, pois diversos olhos passam a conhecer suas ilustrações. Este aluno possui a opção de mostrar seu trabalho em congressos ou encontros nacionais, estas ações facilitam o reconhecimento do estudante como um profissional.


Existe no Brasil e no mundo alguns nomes importantes na área de ilustração cientifica, como referência?

R – sim, temos Diana Carneiro, Marcos A. Santos Silva, Pedro Salgado, Leandro Lopes, Tomas Sigrist e muitos outros.

Existem projetos que o Grupo de Ilustração Cientifica e Biológica da UFC pretendem fazer futuramente no Ceará ou fora do estado?

R – Existe o Encontro Nacional de Ilustração Científica, um encontro anual com a presença de diversos estudantes, mestre e doutores. Talvez neste ano possamos participar deste evento levando um pouco do nosso trabalho para um encontro nacional. Além desse evento, pensamos em estabelecer uma comunicação com outras universidades, que atualmente não existe com uma grande frequência.


Vocês querem dar algum recado para os ilustradores cearenses que pretendem fazer ilustração científica?

R – Como toda profissão, a ilustração cientifica também possui seus altos e baixos, e exige bastante do desenhista, pois estamos trabalhando com um material que futuramente poderá aparecer em um artigo cientifico, em pranchetas didáticas para outros estudantes, ilustrações em livros, ou revista cientificas. E tudo isso pede uma responsabilidade muito grande de saber representar graficamente. A parte boa é que tudo isso é técnica e que se adquire com muito treino.
Se você tem interesse pela área, comece a ter uma percepção mais detalhista de um inseto, por exemplo, ou de uma concha coletada na praia, ou ate mesmo de uma simples folha caída no chão. Pois muitas vezes pequenos detalhes realmente fazem diferença para esse ilustrador.



Informações:
As reuniões acontecerão as sextas feiras no horário de 13:00 às 14:00 horas (Dept. de Biologia - Bloco 906, Laboratório de Botânica). O grupo é aberto a quem se interessar.

Grupo de Ilustração da UFC - Facebook:
Link: Clique Aqui.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Depoimentos - O mercado de ilustração é forte em fortaleza?

Algumas pessoas perguntam, o mercado de ilustração em Fortaleza é favorável? Quais são as dificuldades de conseguir se manter nesse mercado e o que precisa para ser melhorado? Há também uma outra questão, apontada por associações e entidades, da categoria não ser registrada no ministério do trabalho por lei.

Buscamos alguns ilustradores cearenses para responder essas questões e esclarecer uma visão de como funciona esse mercado, veja alguns depoimentos:


"Posso dizer pra você que é necessário para o ilustrador - de qualquer lugar do mundo - valorizar o seu trabalho , agir com seriedade e exigir do cliente em proporção ao que ele está oferecendo. Existem clientes picaretas, mas esses clientes são dispensáveis."
João Marreiro, ilustrador freelancer e fundador do fórum de quadrinhos do ceará.



"Se favorável, no caso, significar “fácil”... Não. Não é favorável. Como em todo mercado, ele é difícil de entrar e difícil de se manter, porém, se você for bom e persistir naquilo que faz... Sim, ele se torna favorável."

"As dificuldades são inúmeras. Vou listar alguns percalços no meio do caminho de todo ilustrador: o primeiro (e talvez o mais importante) é que todo ilustrador trabalha com arte e isso sempre vai ser uma discussão pertinente no que se refere ao valor da obra (tanto valor artístico, como valor financeiro) porque são duas coisas que não se pode separar. Viver de arte implica se manter dela, enfim...​ O segundo ponto é que o mercado não está preparado para trabalhar com ilustração. Seja por falta de conhecimento, ou até mesmo por amadorismo do próprio ilustrador. ​O terceiro ponto é que não existe uma regulamentação ou legislação para a profissão de ilustrador. O mercado e o artista geralmente não estão em sintonia e por isso alguém sempre sai perdendo. A melhora do mercado se daria com a regulamentação da profissão, com tabelas de preços, registros e legislação corretos para que o profissional de ilustração qualificar-se e se manter-se no mercado."
Tiago Amora, diretor de arte da Adax Publicidade.


"A ilustração no geral é bastante desvalorizada na nossa cidade. Os clientes chegam com um orçamento fixo, e infelizmente não há oferta o suficiente para que se possa recusar ou negociar. Na melhor das hipóteses eu tinha que escolher as propostas que não me trariam prejuízo."

"Não tenho como afirmar como poderíamos melhorar, pois os fatores que influem nesta desvalorização fogem muito da influencia do ilustrador. São fatores culturais, que infelizmente se retro-alimentam e só pioram. Como dizer para um ilustrador iniciante que ele não deve pegar um trabalho ruim? O sujeito não tem currículo, não tem contatos nem recomendações e vê numa proposta abusiva a única maneira de se inserir no mercado e conhecer pessoas."

"Acho que uma associação poderia ser um bom começo de mudança. A classe de artistas no Ceará é muito desunida, e as empresas (de uma forma geral) se aproveitam muito desta desorganização. Talvez se os artistas fossem vistos como uma classe forte e unida ganhássemos um pouco mais de respeito."
Kaléo Mendes, Ilustrador Freelancer


"Fortaleza é uma cidade que transborda artistas em uma seca de mercado. Admito que conheço muito pouco sobre as associações, coletivos e demais entidades da categoria que atuam no estado, apesar de ser amigo de várias pessoas nesses grupos. Considero muito importantes essas representações, pois percebi que com a criação das mesmas a cidade gradualmente se encheu de cores. Seja na cidade física em seus eventos e espaços ocupados, seja na cidade digital de blogs e redes sociais, os coletivos e associações mostram que a veia das artes visuais de Fortaleza ainda pulsa forte. Mas tem o nosso difícil mercado."

"A maioria das propostas de ilustração que recebi nos últimos anos vieram mais de outras cidades do que da minha própria. Isso se deve em grande parte, com certeza, à concorrência local: tem muito ilustrador e muita ilustradora aqui na cidade com sangue no olho e uma produção linda fazendo o seu nome, e acho isso muito massa. Outro problema que vejo, e esse é um clássico em qualquer discussão entre artistas, designers e demais freelancers, é a "pechincha" por parte dos clientes que às vezes acaba afastando ilustradores."

"Uma das soluções que encontrei pra conseguir botar meu trabalho no mundo foi vender minha produção por conta própria: camisetas com estampas autorais, por exemplo, estão muito em alta hoje pela facilidade de produção e público aberto a produtos exclusivos. Outra solução foi eu me juntar a um grupo de amigos e produzir nossa própria publicação, para a qual escrevo, ilustro e produzo quadrinhos. Ilustrador fortalezense é guerreiro que não desiste: se ninguém nos procura, vamos atrás dos nossos caminhos!"
Rafael Salvador: Membro da Oficina de Quadrinhos e Editor de Arte da Revista Berro



"Lidar, especificamente, com ilustração, em Fortaleza, é possível, embora se trate, comparativamente, de algo ainda exíguo. É possível trabalhar ilustrando publicações materiais e virtuais, além de diferentes produtos. Porém as oportunidades ainda não são fazem jus ao número de interessados, ou mesmo ao potencial que essa linguagem tende a oferecer".

"Manter-se nesse mercado prototípico requer não só disciplina, no que diz respeito ao cumprimento de prazos e outros aspectos, como inventividade no que concerne, principalmente, à busca e formação de novos clientes".

"Sobre a ausência de entidades devidamente regulamentadas, embora elas tenham a contribuir, não direi que lamento. Pois, para mim, seu estabelecimento vem na carona de outros avanços (estes sim bem mais urgentes)".
Diêgo Silveira Maia, Ilustrador Freelancer e membro da Oficina de Quadrinhos da UFC.



"AUSÊNCIA DE RECONHECIMENTO DA PROFISSÃO E VALORIZAÇÃO, 

DESUNIÃO DOS ILUSTRADORES"
Cival IEinstein, Caricaturista e Chargista

Na próxima sexta-feira, haverá uma serie de postagens sobre o processo de mercado de ilustração e suas alternativas para conseguir manter um trabalho que requer muita dedicação, perfeição e atenção.

Links para consulta:
Fórum de quadrinhos do Ceará: http://www.fqce.blogspot.com.br/
Sociedade dos ilustradores do Brasil (SIB): http://sib.org.br/
A Associação Brasileira dos Ilustradores Profissionais (Abipro): http://www.abipro.org/
Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ): http://www.aeilij.org.br/
Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) / Ilustração:
http://www.sindjorce.org.br/exercicio-da-profissao/ilustracao
Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB): http://www.chargeonline.com.br/
Troféu HQ Mix - Tabela de preço, modelo de contrato e como fazer o orçamento:
http://www.hqmix.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=26&Itemid=40